VOCÊ SABE O QUE É "CAPITAL ERÓTICO"?
Pois é... eu recebi um e-mail de um grupo do qual faço parte ([RH_SP]), tratando sobre este tema, no mínimo "interessante" (e deveras polêmico).
Bem... irei transcrever abaixo o artigo e, em seguida, colocarei a minha opinião.
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"Estudo revela o que é capital erótico e como ele ajuda na carreira
Por: Flávia Furlan Nunes - InfoMoney
Michelle e Barack Obama têm isso. Carla Bruni e David Beckham também. Você sabe o que é o capital erótico e qual a sua importância para o mercado de trabalho?
Uma pesquisa realizada na London School of Economics and Political Science, por Catherine Hakim, revelou que este capital é uma commodity implícita, porém poderosa, que conta tanto quanto as qualificações educacionais no mercado de trabalho, no meio político, das artes e na mídia.
"Beleza e 'sex appeal' se tornaram questões pessoais mais importantes nas sociedades modernas e liberais", afirmou a autora do estudo.
O capital
Ela definiu o capital erótico como a atratividade física e social que faz de homens e mulheres companhias encantadoras e atrativas a todos os membros da sociedade.
"Pessoas que possuem uma média alta de capital erótico são mais persuasivas e notadas como honestas e competentes. Eles acham mais fácil fazer amigos, conseguir emprego, casar e tendem a ganhar 15% mais do que a média", disse Catherine.
O estudo foi publicado na European Sociological Review e concluiu que o erótico é o quarto capital que as pessoas devem ter, assim como o econômico, cultural e social."
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Falado sobre o que é e como se desenvolveu o artigo, reescrevo o que comentei para o grupo, em resposta ao artigo:
Boa tarde, colegas.
Concordo em parte com o artigo. Mas sempre vale ressaltar que o tal capital erótico vai realmente ser um diferencial quando temos dois profissionais de capacidade/ qualificações equiparadas E o avaliador final tem uma propensão maior para o julgamento superficial.
Existem, é claro, vagas em que a boa aparência é necessária, pois envolvem a atração de algum público em específico. Mas somente nestes casos vejo este capital erótico como algo essencial para a contratação de um profissional em detrimento de outro. Certamente, experiência, qualificação e potencial vão muito além de um rosto bonito ou um jeito charmoso e, o bom profissional (de seleção ou outra área qualquer) sabe captar estas informações.
Este capital erótico é mais evidenciado quando o selecionador em questão não está preparado para lidar com a idéia de que tem que "escolher" alguém para alguma vaga, ou quando, por algum motivo, tem seu julgamento nublado por algum fator emocional mais forte. Para mostrar este segundo caso, posso citar o primeiro processo eleitoral no Brasil, pós ditadura. O candidato eleito pelo povo foi o Fernando Collor, cujo apelo popular era muito forte, principalmente por sua aparência de "bom moço". Tivemos uma situação semelhante no processo eleitoral pós era Bush e sua guerra contra o terror. O candidato eleito foi Barack Obama, defensor da paz, cujo sorriso é contagiante. Apesar de serem pessoas completamente diferentes, o clima que pairou no ar durante as campanhas pré-eleitorais de ambos foi muito parecido, com um uso (e até abuso) da imagem (ou, capital erótico) de ambos.
Outros exemplos de pessoas despreparadas para selecionar e que acabam sucumbindo à tentação do capital erótico são profissionais que são chefes de setores ou departamentos, mas que não necessariamente são bons líderes ou conseguem identificar um perfil comportamental adequado para uma vaga em questão (em breve discutirei aqui sobre o tema "liderança", mas agora não vem ao caso). É muito comum um supervisor, gerente ou outros profissionais de níveis hierárquicos mais elevados cometerem este tipo de "discriminação" na hora de bater o martelo na seleção. Não fazem isso por maldade, ou malícia ou algo do gênero. Fazem por não terem o preparo ou visão necessários para fazerem a escolha PROFISSIONAL mais adequada. Mas, repito: o bom selecionador consegue argumentar com o selecionador "inexperiente" para que este olhe além da aparência e escolha o de maior potencial.
Enfim... peço desculpas pelo desabafo, mas acho necessário contestar este tipo de artigo, pois, daqui a pouco este tipo de "seleção" pode acabar virando algo "normal", acabando com o real propósito de um processo seletivo.
Obrigado aos (poucos, mais fiéis) leitores e até a próxima.




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